Índice
» O Lider
» A Hora da Virada
» O que é
É
ético, ajuda os colegas, serve em vez de ser servido. E,
pode
crer, não tem vergonha de dizer que depende da equipe para
crescer
Por
Daniela de Lacerda*
O moço
sorridente que está na foto coordena um time de
385 pessoas numa multinacional francesa do setor de
alimentação. Como
chefe, no entanto, ele está mais preocupado em servir a seus
funcionários do que em dar ordens. Seu maior
propósito é ajudar sua
equipe a se desenvolver, alinhando suas necessidades e valores aos da
empresa. Com essa filosofia, ele e seu time superaram as metas
previstas para o ano passado e estimam uma performance ainda melhor em
2005. Diretor-geral da Sodexho Pass no Brasil, o mineiro Sergio Chaia,
de 40 anos, é um dos rostos da chamada liderança
servidora, a grande
tendência em gestão para os próximos
anos. O movimento é capitaneado
por executivos que não têm vergonha de levar a
palavra amor para o
mundo corporativo e acreditam que o sucesso profissional passa pela
consciência de seu papel no
mundo.
Soa
singelo demais para você? Pois saiba que é essa
postura que
vai garantir a competitividade das empresas nos próximos
anos. E quem
não perceber sua importância corre o risco de
ficar fora do mercado.
Quem decreta é o guru norte-americano James C. Hunter, autor
de O Monge
e o Executivo, primeiro lugar no ranking dos livros de carreira mais
vendidos no Brasil, com 100 000 exemplares comercializados
até o
fechamento desta edição. "Muitos executivos acham
que, porque estão no
comando, seus funcionários é que têm de
servi-los. Mas isso já não
funciona. Hoje, as empresas precisam contar com o
coração, a mente e o
espírito dos seus colaboradores. E só se consegue
isso quando o líder
deixa de lado o desejo de poder e serve, em vez de ser servido", afirma
James (leia entrevista exclusiva com o autor nas páginas
seguintes).
O
modelo pregado pelo consultor não é novo, mas
só agora vem
ganhando força, como um reflexo do crescente movimento de
espiritualidade nas organizações. Essa corrente
é uma resposta à
alarmante crise existencial que assola o universo corporativo. Muitos
profissionais já não se satisfazem apenas com a
perspectiva de bater
metas e receber um gordo bônus no fim do ano. Não
querem mais atuar
numa empresa que tem valores tão diferentes dos seus.
Não estão mais
dispostos a abrir mão da vida pessoal. Só que
essa é, muitas vezes, a
realidade que encontram na empresa. "Hoje, os profissionais precisam
ver sentido no que fazem. Mas os modelos reducionistas do passado
mostram-se incompetentes para responder a essas questões
existenciais",
afirma Jair Moggi, diretor da consultoria Adigo, em São
Paulo, e
co-autor de dois livros sobre o tema: Como Integrar
Liderança e
Espiritualidade (Negócio Editora) e O Espírito
Transformador (Editora
Antroposófica). Nesse cenário turbulento, a
espiritualidade desponta
como um caminho para uma relação mais
saudável entre os funcionários e
as empresas em que atuam, considerando o trabalho como parte de algo
que transcende os aspectos materiais e contempla, também, as
dimensões
psíquicas, sociais e espirituais. "As pessoas buscam alguma
coisa que
diminua a tormenta do cotidiano e as impeça de serem
tragadas pelo
mundo do trabalho", explica o filósofo e consultor
Mário Sérgio
Cortella, que também é professor titular do
departamento de teologia da
Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo. Detalhe: Cortella tem
sido um dos mais requisitados palestrantes para executivos do
país.
Quando
passa do plano das idéias para a prática, esse
movimento
espiritual se reflete em produtividade, criatividade e
inovação.
"Quando estão conscientes do seu papel na empresa e na
sociedade,
gostam do que fazem e acreditam nos valores da
organização, os
profissionais se sentem muito mais felizes e motivados", afirma Sergio
Chaia, da Sodexho Pass. Por isso mesmo, cabe ao novo líder
incentivar o
desenvolvimento espiritual de sua equipe. Caso contrário, a
empresa
corre o risco de perder talentos para os concorrentes ou -- se
conseguir segurar os funcionários na casa -- ver os
resultados
despencarem. "As empresas vencedoras sabem que a
inovação e a ambição
vêm do coração. Se você
não trabalha com o coração,
não é competitivo
como deveria ser. E o mercado já não tem
espaço para isso", diz Sergio.
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