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O Lider Espiritualizado
O Lider
Autor CP 18/01/2009

Índice

» O Lider
» A Hora da Virada
» O que é

É ético, ajuda os colegas, serve em vez de ser servido. E, pode crer, não tem vergonha de dizer que depende da equipe para crescer

Por Daniela de Lacerda*

O moço sorridente que está na foto coordena um time de 385 pessoas numa multinacional francesa do setor de alimentação. Como chefe, no entanto, ele está mais preocupado em servir a seus funcionários do que em dar ordens. Seu maior propósito é ajudar sua equipe a se desenvolver, alinhando suas necessidades e valores aos da empresa. Com essa filosofia, ele e seu time superaram as metas previstas para o ano passado e estimam uma performance ainda melhor em 2005. Diretor-geral da Sodexho Pass no Brasil, o mineiro Sergio Chaia, de 40 anos, é um dos rostos da chamada liderança servidora, a grande tendência em gestão para os próximos anos. O movimento é capitaneado por executivos que não têm vergonha de levar a palavra amor para o mundo corporativo e acreditam que o sucesso profissional passa pela consciência de seu papel no mundo.

Soa singelo demais para você? Pois saiba que é essa postura que vai garantir a competitividade das empresas nos próximos anos. E quem não perceber sua importância corre o risco de ficar fora do mercado. Quem decreta é o guru norte-americano James C. Hunter, autor de O Monge e o Executivo, primeiro lugar no ranking dos livros de carreira mais vendidos no Brasil, com 100 000 exemplares comercializados até o fechamento desta edição. "Muitos executivos acham que, porque estão no comando, seus funcionários é que têm de servi-los. Mas isso já não funciona. Hoje, as empresas precisam contar com o coração, a mente e o espírito dos seus colaboradores. E só se consegue isso quando o líder deixa de lado o desejo de poder e serve, em vez de ser servido", afirma James (leia entrevista exclusiva com o autor nas páginas seguintes).

O modelo pregado pelo consultor não é novo, mas só agora vem ganhando força, como um reflexo do crescente movimento de espiritualidade nas organizações. Essa corrente é uma resposta à alarmante crise existencial que assola o universo corporativo. Muitos profissionais já não se satisfazem apenas com a perspectiva de bater metas e receber um gordo bônus no fim do ano. Não querem mais atuar numa empresa que tem valores tão diferentes dos seus. Não estão mais dispostos a abrir mão da vida pessoal. Só que essa é, muitas vezes, a realidade que encontram na empresa. "Hoje, os profissionais precisam ver sentido no que fazem. Mas os modelos reducionistas do passado mostram-se incompetentes para responder a essas questões existenciais", afirma Jair Moggi, diretor da consultoria Adigo, em São Paulo, e co-autor de dois livros sobre o tema: Como Integrar Liderança e Espiritualidade (Negócio Editora) e O Espírito Transformador (Editora Antroposófica). Nesse cenário turbulento, a espiritualidade desponta como um caminho para uma relação mais saudável entre os funcionários e as empresas em que atuam, considerando o trabalho como parte de algo que transcende os aspectos materiais e contempla, também, as dimensões psíquicas, sociais e espirituais. "As pessoas buscam alguma coisa que diminua a tormenta do cotidiano e as impeça de serem tragadas pelo mundo do trabalho", explica o filósofo e consultor Mário Sérgio Cortella, que também é professor titular do departamento de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Detalhe: Cortella tem sido um dos mais requisitados palestrantes para executivos do país.

Quando passa do plano das idéias para a prática, esse movimento espiritual se reflete em produtividade, criatividade e inovação. "Quando estão conscientes do seu papel na empresa e na sociedade, gostam do que fazem e acreditam nos valores da organização, os profissionais se sentem muito mais felizes e motivados", afirma Sergio Chaia, da Sodexho Pass. Por isso mesmo, cabe ao novo líder incentivar o desenvolvimento espiritual de sua equipe. Caso contrário, a empresa corre o risco de perder talentos para os concorrentes ou -- se conseguir segurar os funcionários na casa -- ver os resultados despencarem. "As empresas vencedoras sabem que a inovação e a ambição vêm do coração. Se você não trabalha com o coração, não é competitivo como deveria ser. E o mercado já não tem espaço para isso", diz Sergio.




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